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Fundado
em Preservação da Natureza, |
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MANEJO DE BACIAS
HIDROGRÁFICAS |
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APRESENTAÇÃO
Esta página é uma contribuição do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Viçosa-MG (SAAE) para que o Programa de Gestão de Bacias Hidrográficas-PROBACIAS, do Centro Mineiro para Conservação da Natureza-CMCN, possa discutir e divulgar assuntos relacionados com hidrologia e manejo de bacias hidrográficas (produção de água) e apresentar técnicas apropriadas de revitalização, conservação e manutenção da capacidade de produção de água de mananciais de abastecimento.
É o SAAE cumprindo, também, o seu papel de disponibilizar resultados de investimentos feitos por ele em uma de suas bacias de captação, já há quatro anos, sendo os dois últimos através de convênios com o CMCN / PROBACIAS e com parte dos recursos provenientes da aplicação da Lei Estadual 12.503, de 30/05/1997, a chamada Lei Paulo Piau (referência ao deputado autor do projeto).
Artigos
1. Tecnologias Apropriadas à Revitalização da Capacidade de Produção de Água de Mananciais
2. Recuperação e Conservação de Nascentes da Bacia Hidrográfica do Ribeirão São Bartolomeu
3. A Bacia Hidrográfica como Sistema Corporativo de Produção e Uso de Água
4.
Produtor de Água – Um Estudo de Caso e Propostas de Trabalho
Notícias, comentários e opiniões
NOTÍCIAS
A seguir está transcrito artigo de autor conhecido, mas sem data e fonte de publicação (certamente muito antigo), que, entretanto, retrata muito bem os princípios de conservação de recursos hídricos:
"Amor à Terra"
Jesse Stuart
Condensado de “The Land”
Meu Pai, que viveu toda sua vida nas montanhas, nunca leu coisa alguma sobre conservação do solo. Ele não sabe ler. Nunca ouvi dizer a palavra “Conservação”. Duvido que saiba o que significa. Ele chama a isso “proteger a Terra”. E se alguém, hoje, começasse a ler para ele sobre os métodos de proteger a terra, ele interromperia:
_ Isso eu já fazia há 50 anos.
Que o fazia a 35 eu mesmo posso atesta-lo, quando fiquei grande bastante para andar atrás dele. Naquele tempo, ele já tinha feito tudo o que eu tenho lido sobre conservação do solo, e mais ainda.
Embora não soubesse ler livros, sabia ler na superfície do solo, em todas as encostas, depressões de terreno ou leitos de córrego e em cada pedaço de chão sobre o qual caminhou no seu tempo. Gostava de sentir a terra na mão. Chegava quase a afagar o solo debaixo dele como se fosse uma coisa para acariciar.
Quando comprou a primeira e única terra que já possuiu, 20 hectares de terreno montanhoso, a metade era considerada imprestável. As encostas já limpas do mato eram sulcadas de valas mais profundas que a altura de um homem. Eu costumava saltar de um lado para o outro dessas valas com o auxílio de uma vara de cinco metros. Hoje, ninguém diria que aquela terra já foi sulcada por profundas e feias feridas, pois produz quatro colheitas de alfafa por estação e a ceifeira roda facilmente por ela.
Quando cortamos as árvores para construir a casa da fazendo, ele guardou os galhos e as copas. Deitou a galhada nos cortes, com a pontas voltadas para o alto da colina.
_Quando a água descer pela vala – disse – o enxurro trazido pela corrente ficará preso nos galhos. Em pouco tempo a vala estará cheia.
Raramente púnhamos pedras dentro das valas. Se o fazíamos, nós as púnhamos bem no fundo, para que nunca fossem impelidas para a superfície e viessem a tornar-se um perigo para o arado.
Onde empilhávamos os galhos, a natureza fazia milagres, entrando com seus resíduos sedimentários, tentando sarar a feia cicatriz. Durante um ano ou dois aramos em torno das profundas valas, revirando a terra, que caia sobre a galhada. Trazíamos das matas carradas de folhas de carvalho que espalhávamos pelos lugares onde os galhos tinham afundado. Empurrávamos mais terras das beiras corrigindo a grande cicatriz, até que começamos a arar o eito. Tornamos assim a unir a pele da terra, deixando -a sem um defeito. Foi assim que tratamos os sulcos de erosão, de dois a cinco metros de profundidade.
As valas pequenas, que não excediam de dois metros, eram mais fáceis de tratar. Quando limpávamos algum pedaço de terra, jogávamos nas valas todos os arbustos e sarças. Estas últimas formavam emaranhado excelente para reter o aluvião e os sedimentos. Desta maneira, limpávamos o terreno e enchíamos as valas ao mesmo tempo. E tudo o que púnhamos dentro desses fossos fertilizava o solo, cimentava a epiderme fendida da terra e a mantinha unida.
Começaram a formar-se valas nas trilhas seguidas pelas vacas e ovelhas. Eis o que fizemos para remediar o mal: Se o chão ao redor era acidentado e não podíamos cortar as sarças e rebentos à máquina, usávamos alviões e foices. Deitávamos os ramos e sarças ao longo dessas trilhas e os animais deixavam de passar por eles novamente. Em breve esse mato acumulava resíduos e sedimentos, a trilha cobria-se e o terreno sanava.
Nunca vi meu pai puxar um arado para cima ou para baixo numa colina, deixado assim um sulco que viesse a transformar-se numa vala. Quando tinha de transpor a colina para ir até à plantação de fumo, tocava a parelha de animais à frente e carregava o arado. Tais os cuidados que ele tinha com o solo.
Outra coisa que ele fez a vida inteira foi compartilhar os contornos das colinas quando lavrava a terra. Elas jamais sofreram os efeitos da erosão nas mãos de meu pai: ele nunca deixou que isso acontecesse.
Atualmente, os peritos agrícolas recomendam que se cultivem cereais nas áreas planas, se semeie capim nas encostas e se reservem os planaltos para pastagens. Meu pai aprendeu isso há muito tempo. Para ele era simples questão de bom senso.
Até hoje meu pai usa trenó para transportar fumo, feno e forragens pelos declives. Não usa carroça, porque as rodas, fazendo sulcos profundos, dão inicio à formação de valas. Os trenós deslizam por cima da terra e quase não deixam vestígio. Ele não arrasta toros morro abaixo, a não ser que o solo esteja congelado. Velhos caminhos de toros são outro bom meio de iniciar erosão. E se a natureza, com uma chuva generosa, um congelamento ou degelo fende a crosta da terra em qualquer parte, ele imediatamente toma suas providencias para corrigir o mal.
Apesar dos seus 70 anos, mau pai ainda pratica a prevenção contra a erosão. Não compreende por que é que todo mundo não “protege a terra. Estranha que mais gente não tenha usado um pouco de “bom senso” para evitar que o humo da superfície fosse lavado pelas enxurradas. Meu pai tem amor à terra.”
Comentário: Vê-se, pelo artigo, que é possível salvar tanto solo quanto água, bastando ter capricho e amor à Terra. Vale ressaltar, ainda, que o proprietário fazia tudo de maneira planejada, apesar de analfabeto, o que mostra que planejamento de uso racional da terra não é privilégio de metodologias sofisticadas.