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- PROBACIAS - PROGRAMA DE GESTÃO DE BACIAS HIDROGRÁFICAS |
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Água em Notícias
n.º 3 (Julho de 2002)
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RECUPERAÇÃO E CONSERVAÇÃO
DE NASCENTES
DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIBEIRÃO SÃO BARTOLOMEU,
PRINCIPAL MANANCIAL
DE
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Trabalho resultante de convênio entre o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Viçosa (SAAE) e a Sociedade de Investigações Florestais (SIF), com interveniência da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e da Prefeitura Municipal de Viçosa (PMV) e sob execução do Centro Mineiro para Conservação da Natureza ( CMCN).
1. INTRODUÇÃO
A
Bacia Hidrográfica do Ribeirão São Bartolomeu tem aproximadamente 3000 ha
acima do ponto de captação de água do SAAE e da UFV, tendo relevo acentuado
e predominância de pastagens degradadas em áreas de forte declividade.
A
Bacia do São Bartolomeu possui em torno de 440 nascentes, que são pontos da
superfície onde aflora água de lençóis subterrâneos, principalmente freáticos,
dando origem a pequenos cursos d’ água que, ao se juntarem, formam córregos,
riachos, ribeirões e rios. Portanto, para que boas vazões aconteçam nos cursos
d’água ao longo do ano, são necessárias boas nascentes, provenientes de lençóis
bem abastecidos durante os períodos chuvosos.
São
regiões saturadas no interior do solo, apoiadas sobre camadas impermeáveis,
no caso de lençóis freáticos, ou entre camadas impermeáveis, como nos artesianos.
Os lençóis são abastecidos pela água de chuva que atinge a superfície da bacia
e penetra no interior do solo, por infiltração, com parte não evapotranspirada
descendo ao longo do perfil até atingir a camada impermeável. São, portanto,
enormes reservatórios de água escondidos abaixo da superfície das bacias hidrográficas.
O fluxograma da primeira página mostra os vários componentes envolvidos
no
processo hidrológico de formação de nascentes. Em prazos mais longos, a quantidade
média de água que vem anualmente à superfície pelas nascentes é igual à média
recebida pelos respectivos lençóis, em períodos antecedentes. Em visão simplificada,
tem-se:
Qn = AL = P – EP – EX
e
Qn
– vazão das nascentes; AL – quantidade de água no lençol; P – quantidade de
chuva; EP – evapotranspiração; EX – enxurradas e Qv – vazão dos cursos d’água.
Como
P é uma resultante climática, fora do nosso controle, ela é hidrologicamente,
e para um dado ano, uma constante local. Então, em pequenas bacias, o aumento
da quantidade de água nos lençóis (AL) e o conseqüente aumento da vazão das
nascentes (Qn) só podem ser conseguidos com a diminuição da evapotranspiração
(EP) e das enxurradas (EX), por meio do manejo adequado da bacia para fins
de produção de água.
2.
OBJETIVOS DO
CONVÊNIO
2.1.
Trabalhar sub-bacias do São
Bartolomeu, aumentando a rugosidade
2.2. Manter sistemas de monitoramento, com medições de chuvas e vazões,
ao
3.
OPERAÇÕES EXECUTADAS
Para
reter enxurradas (aumentar infiltração) é preciso aumentar a rugosidade da
superfície, ou seja, criar obstáculos ao livre escoamento das águas de chuva
sobre a mesma e melhorar a porosidade
do solo. A floresta é a melhor opção para cumprir os requisitos anteriores,
mas como mais de metade das áreas da bacia é composta de pastagens que, por
razões econômicas e sociais locais, não podem ser todas reflorestadas, optou-se,
também, pela construção de cordões em contorno (terraços de base estreita)
e de pequenas caixas de captação em regiões de maior concentração de enxurradas
(Foto 1a,
Foto 1b
e Foto2).
O
reflorestamento foi feito com essências nativas, a construção dos terraços
com mecanização animal e as caixas de captação com retroescavadeira.
As chuvas foram registradas em pluviógrafos e as vazões resultantes em linígrafos instalados em vertedores construídos nas saídas das bacias (Foto 3 e Foto 4).
4.
RESULTADOS
As Foto 5 e Foto 6 mostram a retenção de água nos terraços e nas caixas de captação, a Foto 7 o reflorestamento sendo efetuado e as Figuras 1 e 2, as quantidades de enxurradas produzidas por chuvas semelhantes ocorridas antes (Figura1) e depois (Figura2) das intervenções realizadas.
Na
Figura 1, a área tracejada representa um volume de 1.590 litros de água que
saiu de uma sub-bacia em forma de enxurrada e a Figura 2, o volume de 870
litros, com redução de 45%, mesmo com as intervenções tendo sido realizadas
em apenas 30% da área total da sub-bacia. Com isso houve um aumento de 720
litros de água infiltrada, possibilitando maior abastecimento dos lençóis
freáticos responsáveis pelas nascentes existentes na área.
Vale
ressaltar, ainda, que a grande redução do volume de enxurradas contribui para
evitar cheias e inundações abaixo da sub-bacia. Pode, portanto, ser uma tecnologia
apropriada para bacias de cabeceiras de rios que sofrem inundações nas suas
porções médias e baixas.
As
medições de chuvas e vazões continuarão a ser feitas nos próximos anos, para
melhor avaliação do comportamento hidrológico das sub-bacias trabalhadas.
Para
ter acesso a outras fotos ilustrativas e dados sobre o trabalho, basta entrar
em contato com os Coordenadores/Executores do projeto no Centro Mineiro para
Conservação da Natureza pelo telefone 31 3899 1523 / 3899 1211.
5.
EQUIPE RESPONSÁVEL
5.1.
Apoio (SAAE):
·
Sanzio José Borges
·
Irineu Cassani Franco
·
José Luiz Pereira Corrêa
5.2.
Coordenação / Execução (CMCN):
·
Osvaldo Ferreira Valente
·
Marcos Antônio Gomes
5.3.
Consultor:
·
Paulo Sant’ Anna e Castro (Universidade Federal do Rio Grande
do Sul)
Contato: marcosantonio@vicosa.ufv.br
(031) 3899-1523 - 1211 ou 2709